Estudo da Arte nos Períodos Paleolítico e Neolítico: “compêndio de informações colhidas da internet e livros de arte”

Conceito de arte pré-histórica

  • Arte que foi produzida na Pré-história semelhante à arte atual, qual sejam: gravuras rupestres, pinturas, riscos, etc.

  • Não está, contudo, ligada à ideia de comercio, tampouco.

  • Há teorias que afirmam que os primeiros objetos artístico não tinham a função de adornos, e sim o objetivo de aplacar ou controlar as forças da natureza.

  • Símbolos de pessoas e animais possuíam significado sobrenatural.

A arte do paleolítico

Trata-se da mais antiga produção artística de que se tem conhecimento “idade da pedra lascada”

Início

Na pré-história, idade da pedra lascada, há cerca de dois milhões de anos até 8.000 A.C. Do ponto de vista geológico, está na idade do gelo, no pleistoceno.

As descobertas

Primeiras descobertas no início do século XX. Em decorrência da qualidade e criatividade das peças paleolíticas, houve ceticismo por parte da classe, especializada.

Tais achados são importante pra a compreensão da mentalidade humana.

Tios de objetos: instrumentos de pedra talhada, decoração de objetos, joias, estátuas pequenas da figura feminina ou de animais, relevos e pinturas parietais com temas de casa e figuras de animais ou caçadores.

Divisão temporal do paleolítico

  • Paleolítico inferior (2.500.000 – 2.000.000 até 120 – 100.000 A.C.)

  • Paleolítico médio (300 – 200.000 até 40 – 30.000 A.C.)

  • Paleolítico superior (40 – 30.000 até 10 – 8.000 A.C.)

Acredita-se que é neste último período que o homem dá um passo mais significado na produção artística consciente, por conta da necessidade espiritual.

É possível, entretanto, que este nível seja o ápice de um longo processo transcorrido durante os outros períodos, levando-se em conta que o que foi criando anteriormente talvez não tenha sobrevivido até os dias atuais.

Há ainda muitas incógnitas.

Assim, para uma interpretação mais próxima da realidade pré-histórica, é imprescindível levar-se em conta:

  • pano de fundo cultural, geográfico e social

  • meio ambiente (condicionantes naturais)

Mapa de deslocação humana

De acordo com as teorias atuais que tomam por base os objetos até hoje encontrados, a humanidade deslocou-se da seguinte maneira:

Arte rupestre 1Ainda, levando-se em conta os artefatos encontrados e as teorias neles baseadas, a humanidade encontrava-se da seguinte forma:

  • Paleolítica inferior e médio

Humanidade na África, Ásia e Europa o objeto encontrado é o artefato talhado em pedra (machado)

Já há uma certa preocupação estética e busca da simetria.

É possível observar uma certa unidade nos achados com base, por exemplo, na utilização do vermelho.

A partir do paleolítico médio, a influência cultural entre os continentes é cortada: sul da África e Ásia vão por caminhos diferentes dos da Europa.

  • Paleolítico superior

Surgimento do “homo sapiens” e ocupação da América e Austrália.

Pouco se sabe da cultura paleolítica nesses dois continentes em decorrência da pouca informação arqueológica.

Obs: os melhores testemunhos da cultura paleolítica, até hoje, encontra-se na Europa e Índia. Na França e norte da Espanha há ricos exemplares de pintura rupestre que podem indicar o florescer artístico. Contudo, nada é definitivo, tendo em vista que a preservação das obras defende das condições dos locais em que foram criadas.

A Transição

Em segunda à produção manual, surgem as primeiras decorações nos objetos. No paleolítico superior iniciam-se as primeiras tentativas de transposição de algo real para um suporte.

Há, assim, a captação da realidade na pintura e no relevo transfere-se a tridimensionalidade para um plano bidimensional.

A partir de rochas, ossos ou madeira, utilizando-se características dos suporte já existentes, surgem as primeiras esculturas (podendo utilizar também a pintura).

Primeiramente, a arte diz respeito à natureza e à influência que o homem pode exercer sobre o mundo em que vive. (Imagens observadas).

Num segundo momento, este homem reflete sobre si próprio e passa a representar imagens idealizadas.

Aproxima-se, então, da síntese, da esquematização simbólica. Utilização de linhas simples para representar o corpo feminino, é um exemplo.

Escultura

Principalmente as estatuetas femininas (Vénus), características:

  • Pequenas dimensões

  • Provavelmente utilizadas para cultos da fertilidade e sexualidade.

  • Nuas, de pé, representação de elementos característicos do corpo feminino com exagero (peito, ventre e ancas com volume, braços e pernas delicados e cabeça pequena).

  • A face é constituída de linhas simples, reduzida ao essencial, não há traços individuais.

  • Tanto a face como a representação do corpo tornam-se cada vez mais estilizadas.

  • São a origem da arte cicládica de 2.000 A.C.

Arte rupestre 2

 

Pintura Paleolítica – Arte Rupestre

Arte rupestre 3Dá-se o nome de Arte Rupestre, pintura rupestre ou gravura rupestre às mais antigas representações pictóricas do paleolítico superior (40.000 A.C.). Eram gravadas em paredes e tetos rochosos de abrigos e cavernas ou em superfícies rochosas ao ar livre, em lugares protegidos, normalmente em épocas pré-históricas.

O homem pré-histórico conservava cerâmica, armas e objetos trabalhados em pedra, osso de animais e metal o que denota já a existência da arte e o espírito de conservação daquilo que necessitava.

Entre os pré-históricos homens caçadores surgiram os primeiros artistas o que comprova que o desejo de expressão através das artes é próprio do ser humano. Aliás, a cor já era conhecida pelo homem de neandertal.

Tais pinturas são vibrantes, em policromia e que objetivam imitar a natureza, com base em observações feitas durante a caçada, com o máximo de realismo.

Há, inclusive, pinturas de animais com pontos vitais marcados por flechas o que poderia significar o cunho mágico das gravuras para assegurar o sucesso da caça. Há quem defenda, entretanto, tratar-se de vontade de fazer arte.

Materiais utilizados: Sangue, argila e até excrementos humanos.

Teorias:

  • Cunho ritualístico – iniciando-se no período aurignaciano, com fim no período magdaleniano (paleolítico).

  • Feitas por Xamãs do grupo cro-magnon (mais moderna) – em estado de transe, na escuridão das cavernas, pintavam imagens de suas visões o que explicaria a antiguidade de algumas pinturas e a variedade de motivos

Motivos:

  • Normalmente grandes animais (bisões, cavalos, cervos e outros), a figura humana é rara, esquematizada, desempenhando atividades como a dança e a caça. Há, ainda, palmas de mãos humanas e motivos abstratos (linhas emaranhadas), “macarrões”.

Datação:

  • Por carbono radioativo pode induzir ao erro por conta de contaminação por resíduos de diversas épocas.

Sítios mais conhecidos

Europa:

– França

  • Norte da Espanha (na região franco-cantábrica)

  • Portugal

  • Itália (Sicília)

  • Alemanha

  • Balcãs

  • Romênia

Localidades com poucos estudos:

  • Norte mediterrâneo da África

  • Austrália

  • Sibéria

  • Brasil

Locais na Europa – Pinturas mais conhecidas:

  • Lascaux, França

  • La Marche, França

  • Chauvete-Pont-D’Arc, França

  • Caverna de Altamira, Espanha

  • Caverna de Cosquer, França

  • Fonte de Gaume, França

  • Caverna de Pech Merle, França

No Brasil

  • Naspolini, Santa Catarina

  • Lagoa Santa, Varzelândia e Diamantina, Minas Gerais

  • Toca da esperança, Bahia

  • Florianópolis, Santa Catarina

  • Serra da Capivara, Piauí

  • Seridó e chapada do Apodi, destaque lajedo de soledade, Rio Grande do Norte

A Arte do Neolítico – “Idade da Pedra Polida”

Arte rupestre 4Início:

  • Com a revolução neolítica, no médio oriente, há cerca de 10.000 anos. O homem começa a domesticar animais e inicia a agricultura.

Cenário:

  • Por meio do trabalho, o homem produz sua alimentação, torna-se sedentário e forma aldeias. Surge a cerâmica, afiação, tecelagem e métodos básicos de arquitetura em madeira, tijolo e pedra. Início das estruturas megalíticas – construções feitas com grandes pedras monolíticas, relacionadas com o culto dos mortos ou fins religiosos.

Características de produção artística:

  • Surgem os parâmetros geométricos

  • Evolução dos padrões naturalistas – realistas para um abstracionismo na representação das formas.

Locais:

  • As primeiras, na Europa ocidental, localiza-se em Portugal (finais do VI milênio A.C), espalha-se da península ibérica para os países nórdicos e norte da África. Há, também, na África central.

Cromeleque dos Almendres:

  • Maior conjunto de menires estruturados da península ibérica, data dos finais do VI milênio A.C ou início do V milênio A.C, com o menires, no apogeu, com cerca de 100. É um dos mais importantes da Europa.

Cerâmica:

  • A produção é elevada, sobretudo de cerâmica cardial com uma decoração simples e geométrica obtida antes da cozedura do barro.

Obs: A arte do neolítico demonstra que o homem começa a preocupar-se com o seu bem estar e com a espiritualidade. Crença na vida após a morte e respeito pelos antepassados.

Dois tipos de construções megalíticas:

Dólmens: exigiam muita mão-de-obra; espalhados por Portugal; serviam para enterrar os mais importantes (a população tinha sepulturas vulgares); com câmara subterrânea e acesso por um corredor; às vezes, com pinturas simples no seu interior; quase imperceptíveis, parecem um monte de terra; frequentemente no Alto Alentejo.

Menires: grandes pedras, com tamanhos e formas variadas, fincados no solo, cm várias funções (forma fálica-ritual de fecundidade, de caráter comemorativo ou sinalizadores de sepultura). Encontrados em Algarves e em Reguengos de Monsaraz, Évora (Portugal)

Outros exemplares da arte do paleolítico

Arte rupestre 5

Arte Rupestre no Brasil

Arte rupestre 6Arte rupestre 7Arte rupestre 8Arte rupestre 9

Arte Rupestre em Altamira – Espanha – Capela Sistina da pré-história

Arte rupestre 10

Arte rupestre 11Arte rupestre 12

Outros exemplos da arte do neolítico

Arte rupestre 13Localizada na herdade dos Almendres, próximo ao cromeleque no distrito de Évora, este isolado menir de grandes dimensões apresenta no terço superior uma decoração composta por báculo e faixa de linhas onduladas com cerca de 3,50m de altura, este menir foi reerguido pelo atual proprietário dos terrenos, mas supõe-se que o local original não deveria ser muito afastado do original.

Arte rupestre 14A religião da vida do bispo, no Barlavento algarvio, no distrito de Faro, denota ocupação humana desde os tempos pré-históricos, como se pode observar nos cerca de 10 monumentos megalíticos da zona, destacando-se o menir do padrão 1, onde, por conta da escavação arqueológica, foi identificada uma estrutura de combustão em fossa com restos de moluscos associados a um pequeno empedrado anexo o conjunto seria composto por 15 exemplares que comporiam na origem um cromeleque, entretanto destruído. Pensa-se que se insira entre o período neolítico final e o calcolítico inicial, entre os IV e III milênios A.C. próximos, merecem também destaque os Menires de Milrei, num total de 25 exemplares, talhados em calcário da região.

Arte rupestre 15A Anta Grande do Zambujeiro situa-se acerca de 500m de Valverde, no distrito de Évora, na imensa região alentejana, este monumento megalítico, classificado como monumento nacional, constitui uma das maiores antas da Europa, sendo mesmo a maior que se tem conhecimento em toda a península ibérica. Foi descoberta em 1965, tendo-se mais tarde procedido ao seu estudo e investigação. Seria utilizada, pelas comunidades do neolítico para enterros e homenagens a seus mortos, servindo provavelmente também como santuário, o conjunto tem 50m de diâmetro, compreendendo a câmara poligonal com 6m de altura e um corredor com cerca de 12m de comprimento e 2 metros de altura e 1,5m de largura, de acesso para o exterior. O monumento encontrava-se coberto por uma gigantesca mamoa com mais de 50m de diâmetro, tendo a escavação recuperado um importante espólio de objetos rituais, de adorno, vasos de cerâmica, lâminas e pontas de seta, entre muitos outros.

Arte rupestre 16Anta de Paiva, situado próximo da estrada nacional 251, este monumento megalítico é um dos muitos exemplos da região de Paiva, onde se tem descoberto importantes legados pré-históricos, muitos ainda em estado inicial de investigação, de fato, são cerca de 120 monumentos de megalitismo funerário só na área de Paiva. O espólio recolhido e o tipo de arquitetura apontam para uma utilização mais ou menos contínua, provavelmente entre os períodos neolítico e calcolítico, muitos deles já praticamente destruídos. As antas são monumentos megalíticos tumulares coletivos datados desde o fim do V milênio A.C até o fim do III milênio A.C, na Europa. Podem ser conhecidos por dólmens, orcas, arcas ou palas. São constituídos por uma câmara formada por uma grande laje pousada sobre pedras verticais que a sustentam.

Arte rupestre 17Situada na freguesia da Lajeosa do Dão, no concelho de Tondela, no Distrito de Viseu, constitui um dos maiores testemunhos da antiga ocupação humana nessas paragens este monumento megalítico, que se pensa ter sido construído durante o III milênio A.C, está classificado como imóvel de interesse público, apresentando uma câmara poligonal com sete esteios, quatro deles conservando pinturas em vermelho, laranja e negro muito interessantes. A colossal mamoa que envolve a anta mede cerca de 27m. Os trabalhos de investigação arqueológica colocaram a descoberta de diversos achados, como fragmentos de cerâmica, ossadas, adornos entre outros.

Arte rupestre 18Vaso de corpo globular/ovoide, ou em “fundo de saco”, asas de suspensão verticais colocadas no meio do bojo, das quais só resta uma, e colo alto, cilíndrico. Apresentava-se incompleto, tendo sido restaurado. Ostenta típica decoração “cardial”, obtida pela impressão de conchas de berbigão sobre a pasta ainda fresca. Esta decoração organiza-se em bandas de faixas paralelas que cobrem parte da superfície do bojo, colo e asa. O vaso de Santarém, amplamente publicado e internacionalmente conhecido, integra, pela morfologia e decoração, o conjunto dos mais antigos vasos de cerâmica existentes em Portugal, do neolítico antigo, podendo remontar ao V milênio A.C.

Arte rupestre 19Grande vaso de cerâmica em “forma de saco”, de forma globular, com duas asas bífidas e verticais sobre o bordo, perfuradas horizontalmente. Apresenta uma fiada de quatro mamilos na zona média do bojo. A decoração impressa, do tipo cruciforme ou “folha de acácia”, dispõe-se em piadas paralelas ao bordo. Neolítico antigo evoluído / neolítico médio.

Arte rupestre 20Vaso de cerâmica de forma semiesférica, aberta, com decoração plástica de quatro de mamilos equidistantes dispostos abaixo do bordo. Superfícies bem acabadas revestidas a “almagre”, desengordurante de grão fino. Neolítico final / calcolítico.

Arte rupestre 21Vaso de cerâmica de bojo ovóide ou em “fundo de saco” e colo alto, cilíndrico, ligeiramente estrangulado.  O bordo é ligeiramente extrovertido em relação à parede do colo e apresenta um perfil semicircular sensivelmente na zona média, do bojo encontram-se três asas verticais, e o arranque de uma quarta, de perfil semicircular que serviriam para suspensão acima destas, definindo a zona superior do colo, encontra-se uma faixa horizontal demarcada por dois cordões plásticos em relevo. A decoração nesta faixa é composta por três cordões verticais em relevo, acima de cada asa foi fabricado com uma pasta compacta e homogênea, com elementos não plásticos de grão finíssimo onde são perceptíveis areia e quartzo. Sofreu uma cozedura redutora com arrefecimento oxidante. A superfície exterior foi alisada e coberta por uma aguada de cor laranja em algumas zonas são visíveis marcas da exposição ao fogo. Este vaso, pela sua morfologia e decoração, integra-se no grupo das mais antigas produções cerâmicas existentes no território português, ditável do neolítico antigo.

Arte rupestre 22Vaso de cerâmica lisa, de forma oval, apresenta as superfícies, interna e externa, cuidadosamente acabadas, revestidas por uma aguada espessa, de cor vermelha, tradicionalmente designado por “almagre”, razão pela qual se designam frequentemente por “vasos almagrados”, este tipo de recipiente.

Arte rupestre 23Vaso de cerâmica, de forma tronco-cônico e fundo ligeiramente convexo. Apresenta uma decoração plástica de dois báculos dispostos na vertical desengordurante de grão grosso, cozedura oxidante, pasta castanha escura.

Arte rupestre 24

Para mais informações sobre a arte nos períodos Neolítico e Paleolítico, clique no link do seguinte post:

– Escultura (Breve Resumo da História – parte 1) e Conservação e Restauração
onlinelogomaker-021715-2136

2 thoughts on “Estudo da Arte nos Períodos Paleolítico e Neolítico: “compêndio de informações colhidas da internet e livros de arte”

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