Gontran: “composição”

Gontran Guanaes Netto (Vera Cruz, São Paulo, 1933)

Gontran Guanaes Net to (Vera Cruz, São Paulo, 1933) desenhista, pintor e professor, descende de uma família de trabalhadores rurais. Optando pelas artes visuais, começou sua carreira ao participar do IV Salão Nacional de Arte Moderna. Desde então suas obras estiveram presentes em numerosas exposições coletivas, no Brasil e no exterior, grande parte delas de motivação política e social. Realizou também exposições individuais. Dedicou-se ao magistério de arte na Faap, em São Paulo, antes de exilar-se na França, em 1969, devido à sua militância política e ao recrudescimento do regime brasileiro no período. Gontran atuava sobretudo como ilustrador, com o codinome André.
Na França, Gontran tornou-se professor da Universidade de Paris e da Universidade de Nantes. Permaneceu na França durante 14 anos, período em que participou de numerosas ações políticas. Colaborou com o Museu Salvador Allende, foi um dos fundadores do Espaço Latino-Americano em Paris e vice-presidente do Museu Contra o Apartheid, instituído pela Organização das Nações Unidas. Em Paris aproximou-se do artista argentino Julio Le Parc.
Desde o início, a obra de Gontran Guanaes Netto privilegia a figuração social expressionista. Quando retornou ao Brasil, continuou sua luta “em favor dos sem-terra, dos oprimidos”. No final dos anos 1980, comemorava-se o bicentenário da Revolução Francesa. Gontran propôs ao Metrô de São Paulo a realização de uma série de painéis, tendo como tema os brasileiros, a liberdade e os direitos humanos. Com a aprovação da empresa, começa a pintar uma série de sete painéis, três deles intitulados Aspectos das Populações Brasileiras; um deles, Traços das Populações Brasileiras; outro sobre a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e dois intitulados Marianne. Para tanto, instalou ateliê ao lado da estação. Conversava com os transeuntes, com os passageiros do metrô, entre eles Adriana Madeira, que veio a tornar-se mãe de seu quarto filho, Gabriel. Colocou no painel 4, referente à Declaração dos Direitos Humanos, o rosto de alguns populares que posaram para ele no próprio ateliê da Praça Marechal Deodoro ou que lhe trouxeram fotografias ao lado de vários de seus heróis, tais como Luiz Carlos Prestes, e sua mulher Olga Benário, Sandino, Chico Mendes, Lamarca, Marighela, Fidel Castro, Nelson Mandela e outros. Ao restaurá-los, em 2011, incluiu mais um rosto: o de Arafat, o que causou polêmica. Marianne, a mulher que representa uma alegoria à liberdade na famosa pintura de Delacroix, empunha num painel a bandeira da França e em outro, uma bandeira com as cores verde e amarela do Brasil. Os painéis foram realizados em 1989 e começo de 1990. Concluídas as obras da Estação Marechal Deodoro, Gontran iniciou uma nova série de 10 outras a que denominou de A Catedral do Povo, na Estação Corinthians-Itaquera, com alturas de 2 a 2,3 metros e larguras de 12 a 13 metros. No momento Gontran restaura esses painéis. “Depois – afirma – com 80 anos de idade, posso voltar à França e morrer tranquilo, com a certeza de que deixei no Brasil uma obra importante”.
(Fonte: http://www.metro.sp.gov.br/cultura/arte-metro/livro-digital/arquivos/assets/basic-html/page87.html)

Ficha Técnica

Atribuído a/assinado por: Gontran
Dimensões: 54cm x 65cm aproximadamente 
Técnica: óleo sobre tela

Diagnóstico inicial - resumo

Sujidade
Desprendimento de camada pictórica
Abaulamento da tela
Bordas fragilizadas
Pregos oxidados
Chassis inapropriado
Moldura empenada

Fotos - detalhes

Apêndice - foto complementares (exemplificação de procedimentos)

Consolidação da camada pictórica
Limpeza e higienização
Aplicação de filme de isolamento
Desmontagem
Limpeza e higienização
Reforço de bordas
Instalação da tela em chassis novo
Preenchimento volumétrico
Reintegração cromática (mimética diferenciada)
Instalação de nova moldura

Registro comparativo

Antes
Depois
Antes
Depois
Antes
Depois

Registro fotográfico pós intervenção

Resumo dos processos de conservação e restauro efetuados

Intervenção no suporte
Limpeza e higienização do verso
Reforço de bordas (Beva filme e linho)
Preparação do chassis e cunhas (ilhoses de aço inoxidável e cordão encerado)
Fixação da tela em chassis novo (grampos de aço inoxidável, chassis de cedro rosa imunizado e com cunhas)
Preenchimentos volumétricos (Modostuc)
Instalação de nova moldura (garras e parafusos)
 
Intervenção na pintura
Consolidação de camada pictórica (Plextol D540 e calor)
Remoção de sujidade (Triton x-100 e água deionizada)
Aplicação de filme de isolamento (Paraloid B72 diluído, xileno e Keaton G1657)
Reintegração cromática mimética diferenciada (pigmentos Maimeri, Pébéo Fragonard e Sennelier, Paraloid B72 e xileno)
Aplicação de verniz final com equilíbrio de brilho (Paraloid B72 e cera microcristalina diluídos em xileno)

Condições ambientais para melhor conservação posterior

Temperatura - 20º a 25º C (evitar variações)
Umidade relativa - 45% a 60% (evitar variações)
Iluminação - 5lux a 50lux (evitar variações)
Limpeza - trincha macia e seca

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