Crônica às nada derradeiras Últimas Santas Ceias

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Há coisas que dão trabalho na vida: escolher uma Santa e Última Ceia para análise, percebi, é uma delas.

Provenientes de diferentes tempos, concepções, técnicas… Inúmeras conhecidas; talvez infinitas, se computadas, as desconhecidas. De tantas, até parece que surge uma nova a cada minutos, segundo. Fato inegável: na internet surge.

Em afresco, de Giotto (1303-05); renascentista, de Leonardo da Vinci (1495-98), à maneira de Tintoretto (1592-94), a realidade nua e crua de Caravaggio (1602-03); tridimensional, de Aleijadinho (1796); inflada e temperada por volumes, de Vicente do Rego Monteiro (1925); em terracota, de Victor Brecheret (1930); metafísica, de Salvador Dalí (1955); de rígidos bustos de manequins, de Miguel Anselmo (1960); da paz e do amor com crianças brincando, de W. Virgolino (1974); colorida, de José da Silva (1988); servida em cenário de flores, de Nelson Leirner (1990); de chocolate, de Vick Muniz; de um Cristo e apóstolos pueris, de Solange Botelho (1999)…

E mais. Afora as citadas, tem ceia em foto, tem ceia performática, tem instalação de ceia, tem ceia tatuada, tem ceia no “Youtube”, de “Playmobil” e, até, da “Liga da Justiça”.

Dificuldade comprovada pelo excesso de oferta de ceias que, obviamente, de “última” não têm nada, seguem-se, ainda, as análises, de igual modo, infindáveis acerca das mesmas.

E pior! A gente lê cada baboseira!

Enfim, decidir pela ceia tornou-se uma via crucis – que, por sua vez, deve existir de baciada também.

O que fazer num caso dramático com este?

Cear, ou não cear? Seria a questão?

Talvez uma pipoca e uma pausa assistindo um filmezinho dito cult – saliente-se o cult porque quando o âmago da questão é A Última Ceia, você não pode avacalhar geral e ir de um pulo a Jim Carrey, Eddie Murphy ou correlatos.

É. O filme cult parece uma solução sensata. Somando-se ao fato de que está frio, além disso, descansa a cabeça, entretém…

Viridiana, obra-prima de Luis Buñuel, foi o título escolhido e trata-se de uma história mais ou menos assim: Viridiana, uma bela freira, viaja para a casa de seu abastado tio que acabou de ser tornar viúvo. Lá, sofre com as constantes investidas dele e acaba por presenciar uma desgraça. Ela, então, abandona a vida eclesiástica e tenta viver segundo os preceitos e alimentando mendigos e doentes da região.

Ah, um detalhe: tem “Última Nada Santa Ceia”!

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