Centro Cultural Banco do Brasil: “São Paulo”

Na década de 20, o café representava cerca de 70% do valor de nossas exportações. Muitas famílias fizeram fortuna. A chegada de imigrantes para trabalhar nas plantações colaborou para que o Estado de São Paulo se tornasse o principal produtor do país, conquistando grande importância financeira.

Foi então que, em 1927, abriram-se as portas da agência Centro São Paulo Banco do Brasil, na esquina da Rua Álvares Penteado com a Rua da Quitanda. O arquiteto contratado foi Hippolyto Gustavo Pujol Júnior, cujo projeto, executado a partir da estrutura do edifício construído em 1901, misturava diferentes estilos europeus em voga, e até hoje dá algumas pistas dos valores socioculturais e econômicos do período.

Pujol era filho de um imigrante francês com uma brasileira, nasceu em 1880, em Mendes, no Rio de Janeiro. Estudou engenharia e arquitetura em São Paulo, na então recém-criada Escola Politécnica, e na Europa. Dentre suas contribuições está a ampliação dos materiais utilizados nas construções, como o concreto armado, e a apropriação de estilos europeus.

Os diferentes estilos arquitetônicos e decorativos europeus fazem-se notar a partir da observação de detalhes, tais como: a partir da fachada do edifício, podemos perceber como os dois lados são iguais. Os capitéis das colunas apresentam ornamentos de folhas e coloração dourada, tradicionais do neoclassicismo; o vitral localizado na parte superior e as grades de ferro do mezanino e do primeiro andar apresentam curvas e motivos florais típicos do estilo art nouveau.

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O estilo art decó, por sua vez, é evidente no lustre, no hall de entrada, e nas luminárias das paredes, pois de formas geométricas, com exaltação da monumentalidade e ênfase no valor decorativo.

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E, por fim, há, ainda o estilo eclético, caracterizado por uma tentativa de ir além do modelo neoclássico, traduzido na fachada do CCBB, pelos arcos romanos, colunas gregas, janelas e portas art decó e art nouveau.

A partir da década de 30, surgiram novas avenidas que ligavam o centro de São Paulo às regiões mais afastadas. A população passou a se deslocar para a periferia, dando início a um processo de desvalorização da região central, embora continuasse a ser foco das atividades comerciais.

Após o final da II Guerra Mundial, a estrutura do prédio de Pujol não se adequava ao crescimento da cidade e do banco. Assim, o edifício permaneceu como agência e a sede se mudou para a Avenida São João em 1954.

Na década de 90, transforma-se a agência em Centro Cultural, tendo sido aberto ao público em 21 de abril de 2001, após um processo de restauro e adaptação do edifício.

Ainda sobre o CCBB, diria que:

As exposições ali montadas, além de gratuitas, possuem inegável qualidade e organização, bem como são adequadas ao espaço deste centro cultural; enfim, não há “atropelamentos”, possibilitando o completo aproveitamento, pelo frequentador, das mostras em cartaz.

Outras programações culturais oferecidas, tais como: cinema, música, dança e teatro, apesar de pagas, são ofertadas a preços acessíveis.

As atividades interativas desenvolvidas pelo Departamento Educativo complementam de modo inteligente, singular e convidativo a temática de cada exposição. É este departamento também, dotado de funcionários sempre dispostos a ajudar, que trabalha com seriedade, criando e executando projetos que visam levar cultura a todos, como a o “Fim de semana especial no CCBB – acessibilidade e alteridade”.

O edifício, brilhantemente restaurado, é dotado de uma infraestrutura totalmente segura e bem sinalizada, inteiramente adaptadas para as atrações por este centro cultural oferecidas.

Todos os funcionários são educados, bem treinados e aptos para as atividades que exercem.

Como complemento, há, ainda, um delicioso café e uma loja no saguão do edifício que é um verdadeiro charme.

Enfim, na primeira vez em que estive no Centro Cultural Banco do Brasil, senti-me em casa, pois feliz em vivenciar que há locais públicos onde existe a possibilidade de experimentar-se uma troca harmônica do sublime, a produção artística e cultural, de um modo tão inacreditavelmente próximo e pessoal, mesmo com o burburinho do saguão, mesmo com a intensidade das crianças e dos adolescentes, mesmo com amigas que falam bastante…

Imagine-se num prédio inacreditavelmente lindo, dotado de pé direito ostentoso, porém com iluminação natural provinda de janelas enormes e um vitral no teto.

O vitral que aquece e ilumina mesmo quando há chuva torrencial do lado de fora.

E o mosaico do chão que, apesar de suas pastilhas frias. Aparenta tapete.

É confortável, inegavelmente.

É casa.

É, certamente, local que se propõe a plantar, vislumbrando a germinação e o crescimento daqueles que o visitam.

O Centro Cultural Banco do Brasil faz o que se propõe com sinceridade e bem feito.

Faz querer retornar.

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